.Sábado, Abril 28, 2007.
das andanças noturnas.


o que é da madrugada que me atrai tanto? especialmente essas madrugadas paulistanas em que o frio resolve dar as caras e a brisa escova a cara, gelando um pouco o nariz e afastando o cabelo dos olhos. O cigarro fica melhor, mais enjoyable, mais significativo; a solidão e a melancolia se tornam ótimas companhias; o silêncio é acolhedor...
As coisas parecem certas, mesmo as incertezas que pipocam na cabeça. O tédio deixa de existir - o tédio é veronil- e o confortável está em todas as partes.
A cabeça parece que funciona melhor, mesmo nas dissecações impossíveis e intermináveis que fazemos sozinhos. Os impulsos carnais se acalmam, e o jazz se torna absolutamente necessário.
O inverno da madrugada ( ou mesmo só o outono) traz os questionamentos profundos, traz as mudanças estruturais, traz os sonhos ingênuos que passeam com as folhas no vento.
A noite é elegante quando não é grudenta. Ela traz o blues de dentro do âmago, mas traz também aqueles meios sorrisos tão sutis.

É bom, as vezes, sair por aí acompanhado pela solidão, olhar o céu, acender um cigarro e absorver a beleza da melancolia....



ana banana 5:00 AM[+]
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.Quinta-feira, Abril 26, 2007.
overheardinnewyork.com : Sex is overrated... but sleep isn't.

ana banana 2:40 AM[+]
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é hora de colocar as cartas na mesa, de falar o não-falado, de marcar época - mesmo que para as moscas. Momento self-indulgent que significa mesmo que só pra mim. Balanço e balancete do fim de um trimestre, um semestre, um ano...
Faz um tempão que não tenho a paciência - nem a cara de pau - de sentar e refletir conscientemente sobre quem eu sou, o que mudou, o que aconteceu. E confesso, não é tarefa simples nem tampouco agradável. É um momento de exacerbação do egocentrismo, da arrogância - que se torna necessária - da Assumpção que isso é relevante. Antes o fazia sem considerar seu perigo de cair num mundo ensimesmado, mas agora a cautela ci vuole...

parte 1 (da globalização e de I Pagliacci)

Fatos isolados e interdependentes:
A PUC que permanece igual com seus corredores decadentes, suas salas mal-frequentadas. As mesmas pessoas desinteressantes que fazem planos para um futuro incerto, que sobem e descem escadas conversando, tomam cerveja e regurgitam informações. A biblioteca desacolhedora que de tempos em tempos hospeda alunos frenéticos preocupados com provas e com o mercado de trabalho. Aulas desmotivantes e colegas desmotivantes. Parece até um anacronismo. Tudo muda menos aquilo.
Encontrei as poucas e significantes exceções e elas me encontraram também. Nos encontramos como abelhas numa colméia. Nas entrelinhas de um conto cortazareano.
Outros satélites divertidos que circulam em órbita, às vezes se tornam mais visíveis e outras vezes completamente invisíveis.
As relações internacionais é uma disciplina prepotente: é vago e abrange tudo dentro do conceito de "globalização". Tudo pode ser internacional. Mas a verdade é que RI não comporta nada como área do conhecimento. Especificamente não trata de nada enquanto trata de tudo. Falemos eloqüentemente da Política Externa Brasileira, da análise das escolas teoréticas para a dinâmica internacional, das Organizações supranacionais, dos tratados e das relações de poder. Impressionemos nossos colegas com o pensamento fukuyâmico, as ordens mundiais. O futuro dos internacionalistas é o comércio exterior. A importação/exportação. As empresas multinacionais. O poder de criação em cima dessa graduação é quase mínima e tarefa árdua para algumas exceções. A maior parte flutua entre o desespero de ser lançado para a vida e o contentar-se com qualquer coisa que vier.

Das descobertas

E assim, numa noite jovem de sexta-feira, me vesti de modo galante, com sapatos e vestidos numa tentativa de explorar algo novo. E foi assim impecável que busquei um amigo na Angélica e que fomos assistir um espetáculo. E das conversinhas entre-atos, da cafonice do cenário, de um concertato incrível e uma noite maravilhosa, uma nova paixão: a ópera. Um pé dentro do entretenimento de séculos atrás, da beleza musical das árias, do gosto pela tragédia encenada. A capacidade dramática da música cresce exponencialmente quando combinada com árias específicas ou librettos inteiros. É a forma mais completa de arte como espetáculo: dança, teatro, música - tudo junto.
Escutar ou assistir (ou ambos) são formas complementares de sentir quando falamos de ópera. Quando apenas se sente a ópera (escutando) a beleza sonora e - quando se entende os diálogos - a beleza literal levam o coração e a mente para um outro plano onde as emoções acompanham o ritmo das músicas. Assistindo a montagem viva da obra- quando boa - a admiração e a saciedade dos sentidos se torna completa de tal maneira que é possível entrar em transe. Mas é perigoso esse mundo: a verdade é que ouvindo uma ópera se pode tanto sair assoviando com vontade de tomar champagne quanto com vontade de se tacar de uma torre.
Sem contar a possibilidade de transitar no mundo da mais tradicional sofisticação, se imaginando nas cortes francesas ou italianas de séculos atrás.
Talvez o meu gostar desse nova descoberta musical tenha uma razão mais profunda do que o simples liking of it. Considerei, essa tarde, que talvez fosse um certo tipo de antídoto ao bombardeamento de comédias românticas que tem por aí. Os mesmos filmes água-com-açucar que me enchem os olhos de lágrimas esperançosas e melancólicas. O amor existe no mundo de Puccini e Verdi, mas quando não acaba em tragédia acaba com uma sátira feroz, um escárnio. É um alívio ao certo...


ana banana 12:36 AM[+]
.Sexta-feira, Abril 13, 2007.
hoje a noite, ao chegar em casa de um dia de fadiga, mau-humorada e com fome, descobri algo interessante sobre a minha pessoa:
Sem sinal de um jantar preparado por mami-le ou um resto de take-out, vi que eu mesma teria que me preparar qualcosa per mangiare se quisesse saciar os amargos roncos do meu estômago. Pra cozinha eu fui, coccinare. E quando meu prato pronto estava lí na mesa vi que tudo era picante. Tomates pelados com muito alho, cibola, pimenta, sal, tomilho e azeite; insalate com azeitonas chilenas, limão, sal, azeite e mostarda.
Foi quando eu percebi que eu gosto de sentir o gosto intenso: o picante, o ardido, o azedo intenso. O fogo da culinária. E sempre é assim. As coisas precisam ter um gosto interessante para me atrair.
Mas o que eu faço com essa informação nova, eu não sei.

ana banana 1:31 AM[+]
.Terça-feira, Abril 03, 2007.
A new era has come along, and on that note i leave you with my brand new podcast.
First episode has a little spice to it: a bit of the old-time blues we love so much, a hinch of R&B, folk-blues, and some of that Motown we can't get enough of.

Feel free to snoop around listening to the Pancake Factor Podcast: http://pancakefactor.podomatic.com

grazie mille,

the pancake factor staff

ana banana 12:59 AM[+]