.Terça-feira, Outubro 24, 2006.
O quarto estava quase totalmente às escuras e ouvia-se o chilrear da agulha do velho disco. Por que ali, por que o clube, aquelas cerimônias estúpidas, por que eram assim esses blues quando Bessie o cantava? Encostava nela, que estava completamente embriagada e chorava em silêncio ao escutar Bessie, estremecendo a compasso ou contratempo, engolindo o soluço para não se afastar por nada dos blues da cama vazia, a manhã seguinte, o sapato molhado, o aluguel sem pagar, o medo da decadência, imagem cinzenta do amanhecer no espelho aos pés da cama, o blues, o tédio infinito da vida. Não é possível que isto exista, que estejamos verdadeiramente aqui. "Não chore, nada disso é verdade" "oh, sim, é verdade sim" "talvez seja, mas não é a verdade" "é como estas sombras; e nós estamos tão tristes porque tudo isto é tão bonito".
Aquilo tudo, o canto de Bessie, o arrulho de Coleman Hawkins, não seria tudo mera ilusão, ou talvez algo ainda pior, a ilusão de outras ilusões, uma corrente vertiginosa para trás?

ana banana 1:16 PM[+]
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a quantos quilômetros se encontrariam um do outro, esses dois que, numa futura noite de Paris, se batiam de guitarra contra corneta, de gin contra má sorte, o jazz.

(ponha o jazz me blues)

ana banana 11:40 AM[+]
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.Quarta-feira, Outubro 18, 2006.
... deixar de lado tudo aquilo que me separa do centro. Acabo sempre por me referir ao centro sem a garantia de saber o que estou dizendo, acabo sempre, enfim, por ceder ao engano fácil da geometria com que se pretende coordenar as nossas vidas de ocidentais: eixo, centro, razão de ser, Ônfalo, nomes de nostalgia indo-européia. Mesmo esta existência que, por vezes, procuro descrever, esta Paris onde me movo como uma folha seca, não seriam visíveis se, por trás, não pulsasse a ansiedade fundamental. Quantas palavras, quantas nomenclaturas para o mesmo desconcerto. Por vezes, chego a me convencer que aestupidez se chama triângulo, de que oito por oito é a loucura...




ana banana 1:09 PM[+]
.Quarta-feira, Outubro 11, 2006.
Is it the booze talking?

dessa vez o pouco sono e os remanescentes alcólicos no sangue (3 horas e 3 cachaças) surpreendentemente me fizeram bem... ou não tão mal quanto da última vez que apareci pelo escritório com maquiagem escorrida e cara-de-quem-não-dormiu. Dessa vez o sol bate forte na janela e eu estou animada e bem disposta. (claro as coisas ainda giram um pouco, mas nada de ressaca nem enjoo).

Penso até em nadar na hora do almoço e um pilates a tarde.

Acho que quando algumas coisas se resolvem, a gente fica mais feliz no geral, e as coisas encaixam e fazem sentido.
Ou não... could be the booze talking. Mas abro um sorriso. Vou até a padaria tomar um belo café-da-manhã de pão-na-chapa-bem-passado e sucão de laranja.

comeria até uma salada (se não fosse 9 da manhã)


ana banana 9:08 AM[+]
.Segunda-feira, Outubro 09, 2006.
The History of Rock
by the uncyclopedia

On June 28, 1914, Chuck Berry, Archduke of Austria and heir to the Austro-Hungarian throne, was assassinated in Sarajevo by Gavrilo Princip, a Bosnian Serb student. He was part of a group of fifteen assassins, acting with support from the Black Hand, a secret society founded by pan-Serbian nationalists, with links to the Serbian military. The assassination sparked little initial concern in Europe. The Archduke himself was not popular, least of all in the Austro-Hungarian Empire. While there were riots in Sarajevo following the Archduke's death, these were largely aimed at the Serbian minority. Though this assassination has been linked as the direct trigger for World War I, the war's real origins lie further back, in the complex web of alliances and counterbalances that developed between the various European powers after the defeat of France and formation of the German state under the leadership of Otto von Bismarck in 1871.

This eventually triggered the invention of rock and roll in 1962 in Liverpool, Pensylvania, by a band called the Beatles. Their line up consisted of Paul McCartney (Bass), Natasha Bedingfield (guitar and Vox), George Harrison Ford (lead guitar) and Animal from the Muppets (Drums).


ana banana 3:01 PM[+]
.Sexta-feira, Outubro 06, 2006.
Bob Bullet, a private eye.


A fumaça do meu cigarro se misturava a fumaça do meu .38. Se os negócios fossem tão bons quanto minha apontaria, eu estaria numa boa. Em vez disso, tenho um escritório na rua 17 e um péssimo relacionamento com um monte de cobradores.

Sim, sou eu, Bob Bullet. Eu tenho oito doses dentro de mim. Uma é chumbo e o resto é Bourbon. A bebida bate duro mas eu bato mais. Sou um detetive Particular.

A bebida é amarga, mas a vida não tem se provado melhor do que isso. Eu só chamo encrenca pro meu lado. Quando a cidade está silenciosa demais, quando só se escuta os uivos dos vira-latas vagabundos, é sinal que alguma coisa vai aparecer no pé da escada do meu escritório.
Dessa vez não foi diferente.

De repente, minha porta abriu num estouro, e a encrenca entrou - Morena, como sempre.
(era uma dona mandona, mas tinha um caso).

Um metro e meio de pernas num vestido de cetim vermelho. O mesmo vermelho dos lençóis da cama da morena, imaginei. Seu perfume era embriagante e instantaneamente contaminou a sala inteira. Sentou em cima da mesa (como elas sempre fazem), a maquiagem escorrida e os cabelos soltos no ombro. Ofereci um cigarro e ela prontamente aceitou.

A moça estava histérica. Ela era do tipo que podia quebrar meu coração. Mas as cicatrizes do meu último envolvimento ainda estavam abertas. Não, não poderia cair no encanto dessa morena. Era só um bico para pagar as contas.

A chuva já caía incessante lá fora e as goteiras me enlouqueciam caindo nos baldes, assim como as perguntas que martelavam em flashes na minha mente. Por que Matt estava com tanta pressa? Onde Susie tinha arranjado a arma?
Eu precisava de uma pista e de um drinque. Um deles eu sabia onde arranjar.

Tinha planejado tirar a tarde de folga com meus companheiros. Meus amigos viajam leve e são divertidos de ter por perto. Um viaja num maço e o outro num cantil; eu os chamo de Mal & Jack e eles são toda a família que eu preciso ter.

Eu sabia de cara que ia precisar de ajuda para quebrar o caso. - E mais importante : tinha que ser antes de quinta-feira quando vinha o Bill, meu bookie, me cobrar. Maldito! Me fez apostar no cavalo número dois, aquele perdedor. Não tinha escolha, tinha que passar na casa da Betsy-Lou Winters.

Betsy era uma garota durona. Tinha a marca da vida no corpo; fugiu cedo do Idaho para ser dançarina na cidade grande. O rosto dela sugeria que alguém lá em cima tinha um senso de humor estranho. Mas eu não ia lá para dar umas risadas. Precisava de informações.
Tinha uma cobertura na 7ª, parte nobre do bairro, que herdou do marido (morto pela minha .38). Ela sabia de tudo que acontecia na cidade mas cobrava caro. Sorte a minha que ainda me devia uma.

Parei na loja de licor que tem na esquina da minha rua com a Pellow drive e comprei o que betsy e eu tínhamos em comum: Uma garrafa de Jack 12 anos. Mandei o Joe colocar na conta, eu estava duro. Acendi o cigarro saindo da loja e fui andando em direção ao apartamento dela. Eu podia pegar o ônibus 375, mas o maldito prefeito proibiu fumar em transportes públicos. E eu preferia andar, de qualquer jeito.

Como eu via, Winters se comportava de maneira que ficava irritantemente satisfeita consigo mesmo para uma mera dançarina que se deu bem na vida. Ela abria um sorriso de canto de boca toda vez que se achava genial. Não é necessário dizer que passava dias a fio com o tal sorriso maroto.

Cheguei ao apartamento e bati na porta duas vezes como de costume; quando ninguém atendeu imaginei que estivesse no bar do hotel Ritz com alguma de suas companhias masculinas, rindo em falsete com os braços amarrados no sujeito.

Sentei na entrada e acendi outro cigarro. Resolvi juntar todas as informações sobre o caso. Matt, Susie, o broto de vermelho... alguma coisa estava muito errada. Não tinha dúvidas que Betsy sabia de alguma coisa. Mas... será que ela cantaria?

Arrombei a porta do 1105 e lá estava ela. Vestida inteira numa roupa de gala, maquiagem feita, aquele batom típico de Ms. Winters... Estava mais bonita do que nunca. A janela estava aberta e de lá as luzes da cidade se contrapunham as taças bebidas de champagne em cima da mesa. Mas Betsy-Lou estava estirada no chão, sem vida, ainda de salto.
¿Boneca, você está um arraso¿ sussurrei leve no seu ouvido.
Sentei na poltrona, abri o Jack, brindei e dei um gole largo.
¿Gata, bem que eu queria lhe fazer companhia, mas os jornais devem estar chegando e a última coisa que eu preciso é me envolver nessa¿. Dei um último gole e saí do mesmo jeito que entrei.


Alguém chegou nela antes do que eu. E conhecendo o broto, sabia que era difícil calar a sua boca. Antes de voltar para o escritório, passei no endereço que a morena tinha me deixado. Quem sabe ela poderia me esclarecer algumas coisas.
Ou ela tinha um decorador psicótico ou alguém revirou o lugar com grande pressa.
Estava fuçando por aí em busca de pistas quando o click de um martelo sendo pressionado atrás do meu pescoço garantiu minha total e incondicional atenção.

to be continued

ana banana 7:03 PM[+]
.Quarta-feira, Outubro 04, 2006.
demorou, mas achei o linux. descobri o bendito linux. Claro, tem que começar devagar. Kubuntu chama o meu. e tem tudo. É Thunderlinux; tudo que você pode imaginar e mais. direto de miami.
Pá!



(enquanto isso, tangencio os limites humanos nesse trbalho árduo de orgaização de eventos internacionais e edição de vídeos que não querem ser editados. Ah, amanhã tudo acaba e eu vou marcar uma massagem longa pra mim.)

ana banana 1:31 AM[+]
.Terça-feira, Outubro 03, 2006.
ai esses vídeos que me cansam. Não querem ser editados. As últimas cinco horas foram em vão. e o sono vai ficando pra trás.
ê vida de cineasta como é pesada. noites em claro na frente do computador.
Só falta esse, meu deus. Só mais um... e acaba. publish and print. Mas não. Esse último tá me dando uma trabalheira só.

Já to estressada, acabada, cansada, mau-humorada.... que mais pode querer?
Mas digo que esse negócio de vídeo é bem melhor que transações financeiras internacionais.

ana banana 12:26 AM[+]