.Quarta-feira, Maio 31, 2006.
e não é que de repente tudo se encaixou tão perfeitamente que pareceria um quebra-cabeça se acertando. E veio o carro, caindo aos pedaços, é verdade, mas um carro que anda - que me leva nos lugares que eu quero, quando eu quero. Veio assim, uma labuta séria num banco alemão com chefes bacanas e uma colega de trabalho mais do que maravilhosa. Veio tudo isso numa semana dessas de maio.


ana banana 8:09 AM[+]
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.Quarta-feira, Maio 17, 2006.
a perdição é uma condição constante na nossa vida de jovens pensantes, mas ela é necessária para se acertar os buracos contraditórios de nossas personas. Não estou perdida agora, mas vejo em minhas sombras aqueles que estão. Como gostaria de sugurar suas mãos e apertá-los , sussurrando a resposta que eu um dia encontrei mesmo que por acaso. Mas as palavras não saem corretamente e mesmo que saíssem não seriam verdadeiras. O lobo da estepe passou por isso. Eu também (e outro dia terei de fazê-lo novamente). Por isso o que resta é esperar e observar.


ana banana 2:52 AM[+]
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.Terça-feira, Maio 09, 2006.
se não se vê o colorido nos olhos e a palpitação no pulso, vale a pena a insistência? A compatibilidade física e a concordância intelectual se provaram insuficientes para uma estrutura. Mas o ego desinflado dói a dor-egoísta de si. Dói pelo não mais ser gostado como se era. Dói pela quebra de expectativas e pela impossibilidade de ter adivinhado tão prontamente. Mas a dor reflete o viver das experiências e a dinâmica da dialética cotidiana e se torna necessário para a lembrança e a superação -e talvez um pouco pela estética melancólica que é frágil. Não que a dor está demasiada forte ou enraizada. É o sofrer de uma lesão na perna. Dói mais do que deveria, mas pela satisfação de um tempo flutuante na cronologia. Mesmo que sabiam, pelo pressuposto das condições, que um dia as coisas tomariam seu rumo natural de desintegração, de divergência em diferentes caminhos, um soube antes que outro. Mas dói a não-propriedade - mesmo que superficial e efêmera - dói a ausência de volumes reconhecíveis mesmo que curiosamente estranhos e desprovidos de um sentimento maior. Seria ilusão a possibilidade de criação? Mas isso já não importa mais para os que perderam o palpável. Faz-se criar lembranças e seguir em frente. E o faço com as mãos no bolso e arrisco um meio sorriso.

ana banana 3:54 AM[+]
.Domingo, Maio 07, 2006.
um caso crítico de dominguite.

domingo é praga. Seja domingo de feriado, de véspera ou mesmo domingo normal, como foi esse. Domingo é dia de acordar tarde (ou cedo) por querer, é dia de andar de bicicleta, café-da-manhã prolongado, brunch com jornal, livros e café. Domingo é dia de pescaria, de almoço em família, chopp à tarde com os amigos. Domingo é mesmice, é o prazer num dia tedioso de sol, de chuva, de frio.... Mas domingo sempre vem com uma núvem; em especial, domingo à noite. Uma núvem pesada, cinza, carregada e... deprê. Um cansaço existencial, uma ressaca moral (e física, às vezes), um dia de reflexões introspectivas confusas. É o cinema com todo o mundo, são andanças cabisbaixas e risadas cansadas.
Mas esse domingo veio diferente. Veio com uma dôr-de-cabeça, uma quase-certeza e uma vontade de nada. Veio com excesso de pensamentos e um passeio de carro pela cidade. Nesse domingo friorento parece que a vida caiu nos ombros - e nas têmporas - derrubando as pálpebras e as expectativas. Mas esse domingo não é diferente dos outros. Esse teve cinema, teve almoço teve até compras de vinho. Coca-cola e café. Mas parece que todo mundo sentiu esse domingo no âmago.

ana banana 10:20 PM[+]
.Quinta-feira, Maio 04, 2006.
pôxa, a vida as vezes complica tudo. Quer dizer, a vida não, o conhecimento ou essa sede de conhecimento que a gente (eu, seul?) tem. Não quero parecer chata nem voltar à nostalgia fantasiosa, mas como é que se lida com fatos contraditórios? Como é que se compara dois momentos da sua vida e se chega a uma síntese? Somos sínteses de uma dialética histórica pessoal? Eu achava que sim. Dizia que eu era uma dança dialética. Dizia da estética (por ela mesma), de ideais passionais (não, nunca revolucionários), dizia de uma terra fantasiosa do glamour.... dizia tudo isso e agora? Não sei. Sentimentos confusos. Basta dizer que não sei? Basta dizer que sei que sei que nada sei.
Vamos crescendo e nada concluimos de nós mesmos.
Será que a vida é isso? A eterna (quer dizer, eterna enquanto a vida parece ser) busca de conclusões sobre si?
Caramba. Pode ser nó de madrugada, mas estou presa num amarinhado de idéias e pensamentos. Nada que faço é com convicção. Nada que penso é com convicção. Isso me assusta, profundamente.
Serão meus poucos dezenove anos?
(Espero que sim)

o universo é subjetivo.
o deus é substantivo.

ana banana 2:22 AM[+]
.Terça-feira, Maio 02, 2006.
Adiamento


Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...


(F.P como A.C)

ana banana 2:40 AM[+]