.Domingo, Outubro 30, 2005.
foram três noites seguidas de saídas perdidas acompanhadas de gin-tônicas.
um botulismo com a fau
uma festa num sub-solo
uma volta de salto com a vitória do festival de música, ida no Zé e uma das baladas da Madá.

acho que esse domingo vai acumular a ressaca dos três dias num só.
meu dedo tá carne viva por causa do surdo
meu ombro, moído
minha cabeça vazia
minha moral abatida.

Abaixo o day after.

ana banana 2:56 PM[+]
Comments:

.Sexta-feira, Outubro 28, 2005.
tem um travesti na academa da thaís. Ele usa roupas grudadas e super decotadas. E usa o banheiro feminino.



ana banana 2:41 AM[+]
Comments:

.Quinta-feira, Outubro 27, 2005.
Quando eu peruntei qual era a cor daquela noite, os rostos se viraram com olhos brilhando e meios sorrisos, responderam de maneira uníssona: " a noite não tinha cor, tinha só gôsto de pêssego". E voltaram a andar para todos os lados das vozes.
Eu num canto, cantando as luzes e os barulhos vocais de outrem imaginei o gosto pêssego aveludado.
E quem disse que a solidão coletiva não encontra conforto na multidão talvez tenha se enganado. Pois então se encontra uma lei silenciosa, uma lei de convivência anônima e cúmplice.

ana banana 2:54 PM[+]
.Terça-feira, Outubro 25, 2005.
....

O aveludado dos amigos juntos, rindo e comendo.
som do mastigar o polvilho
O suculento pocket-show-surpresa de rock'n roll
O doce gosto de brigadeiros e beijinhos.

A nostalgia das balas de côco e dos chapéus de festa. A família e as velas e os sanduiches de metro
cerveja gelada e escassa. O põe-a-conversa-em-dia

A fumaça dos cigarros meio-acesos e as bitucas transbordando os cinzeiros improvisados

fofocas santacruzenses.
som nas caixas
bexigas por aí.


e uns dezenove anos que vieram sem avisar que vinham.



ana banana 2:12 AM[+]
.Quinta-feira, Outubro 20, 2005.
i've been working on a piece that speaks of sex and desperation
I've been screwing on the tracks of abandoned train stations

Art Star

I got a dealer in Tokyo
I got a rep in Paris
I got a agent in Colone
Shit i got a gallery in New York!
Its a mad house this modern life
Its a mad house my faithless bride



ana banana 9:52 AM[+]
.Terça-feira, Outubro 18, 2005.
fiasco funhousíaco. é só isso que vou falar.

Mas não se preocupem, logo estarei na D.Edge de segunda.

(acabou sendo uma noite agradabilíssima no Zé com Original e sanduíche de salame - e, claro, bons amigos)

ana banana 2:31 AM[+]
.Domingo, Outubro 16, 2005.
E começou o horário de verão, que eu adoro, com uma boa surpresa! O zé voltou pro bar do zé. E agora eu posso falar: "ô zé, desce mais uma!" E ele continua uma simpatia só.

ana banana 3:39 AM[+]
.Sábado, Outubro 15, 2005.
Eu odeio os pássaros que cantam na hora errada. Quando eu deito na cama eles começam e me irritam muitíssimo. Queria ter um estilíngue pra matar os malditos pássaros.

----

Acordei em cima da hora, porque eu sempre tenho que dormir mais um pouquinho. Só que eu não tenho hora nenhuma. Só a hora de acordar. E a hora de acordar sempre é daqui a pouco. Levantei. Meu pai tinha voltado da feira com todas as coisas fresquinhas que ele sempre traz da feira. Só que hoje eu não fui comer pastel com ele. Comi o gnocci costumeiro do sábado à tarde. Todo mundo na mesa, conversando sobre os fatos costumeiros das vidas familiares. Minha mãe come gnocci com hashi e falou da prova de triathlon que ela tem semana que vem. Eu falei da festinha de ontem, quem me trouxe de volta, como eu dancei e como o pai do meu amigo tem um montão de cedês de jazz. Minha irmã reclamou do mau-humor e ficou emburrada por não poder ir ao CCBB sozinha. Meu pai contou umas piadas, reclamou do churrasco que tinha que ir dos amigos da minha mãe.

Foram embora.

Pus um macacão.
Fui com minha irmãzinha comprar picolé e coca-cola. Ela foi pra casa da amiga dela. Eu fiquei de macacão, comendo picolé e assistindo a marotona gilmore girls.
Recortei revistas e tive um momento de menina perdida entre idéias. Agora já posso mandar aquela carta colorida com recortes e cola e tesoura e canetas coloridas. Tive vontade de fazer um cartão com cartolina azul. Mas a vontade passou e eu olhei o livro Diplomacia do Kissinger e tive preguiça.
E fui ouvir marvin gaye

ana banana 11:32 PM[+]
.Sexta-feira, Outubro 14, 2005.
domingo de manhã vou sair pra caçar rã.

ana banana 10:10 PM[+]
ninguém notou

talvez não viessem
a notar nunca


segurei o fósforo aceso
por tempo demais, ele queimou meus
dedos.
Praguejei alto, dei partida e
comecei a caminhar
para a estação de
trem.

alguém tinha me avisado
que as putas estavam chupando bem, lá,
nas escuras rampas de acesso...


bukowski

ana banana 10:07 PM[+]
.Quarta-feira, Outubro 12, 2005.
welcome to the monkey house

balada no puteiro:


Caribe

Imagina uma sauna de vapor. Aí imagina uma sauna com luzes neon vermelhas, espelhos embaçados, cheia de gente dançando, e música. Música da mais variada. É esse o pico
Na entrada, fotos de mulheres desnudas em poses inconvencionais. E espelhos. Muito espelhos. Aí você entra e sente um abraço de calor. Gente suando, sem roupa, se assemelhando à um rito tribal;bebidas passando pela pista. Sofás vermelhos de vinil e espelhos embaçados. Muitos espelhos.

Depois de abstrair os fatos acima ditados, entra-se no clima. E ana banarama se divertiu. E suou, muito, muito mesmo. Dançou até no palquinho das putas - um pancadão. (E o chateau dançou também. O cotonete, o sanduíche e o busão lotado. Praqueles que não acreditam que ele dança)
E no meio de vodkas com guaraná e cervejas quentes soou pelas caixas de som nada menos que orgasmo legal.

Lá em cima, a suite número 5 foi a minha escolhida por ter ventilador. E lá a ju uva tirou a roupa - ou teve a intenção de tirar, antes que eu pudesse tirá-la de lá - meninos e meninas davam tiros (sem me oferecer) e meu maior prazer naquele quartinho de luz vermelha, cama com capa de vinil vermelho, espelhos, um guarda-chapéu e o ventilador foi me deliciar com um gelo no pescoço.. algo que parecia vir de um filme pornô ruim. Abri uma outra suite e me deparei com um casal (de conhecidos) ali no hot'n heavy. Uma varandinha lotada. Alguém que mijou na bolsa da ju uva.

Na volta uma excursão na augusta, um velinho bicha que conversava com as putas, um sing-a-long de júpiter maçã e Roberto Carlos.

E depois de um longo banho, digo aos que não foram que perderam uma balada memorável.

ana banana 4:28 AM[+]
.Segunda-feira, Outubro 10, 2005.
Boa Noite, Londres! São 21:00 e esta é a voz do destino.


E daí que o cabelo não há mais. Se foi de modo comparável à Sansão ou de modo em que se tira o-que-há-de-ruim não sei. Mas com o tempo saberemos;

ana banana 7:52 PM[+]
.Sábado, Outubro 08, 2005.
no smoking

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.


got a light?


Para muitos, essa mudança na cultura soletra progresso e apenas progresso, um sinal que a civilização ocidental está emergindo de uma era escura e nublada onde Tabaco era o rei. Mas outros não conseguem não sentir uma grande sensação de perda. Lembrar o ¿Good old days¿ quando se podia aproveitar um café matinal com o tão esperado cigarro, ou então sentar num café, esperando o tempo passar ---como Sartre o fazia --- entre baforadas poéticas. Chame o tabagismo de auto-destruição ou de sublime, mas é uma parte da cultura. O que seria de filmes como o Acossado sem o cigarro? Diz a lenda que Sartre escreveu o Ser e o Nada sentado no café Floré na Boulevard St.Germain entre goles de café e maços inteiros. O que seria de o Ser e o Nada? O que seria do Jazz? Como é que a banalidade da "boa saúde" pode competir com o Acossado? Com versões sanitárias da realidade que substituem as visões de um Godard ou um Cassavetes, um vácuo cultural é criado, um buraco para competir com o do ozônio. Não me diga que é só eu que tenho reparado na produção enfadonha cultural esses últimos tempos. Exagero e muito, eu sei. Mas pense um pouco na estética das artes sem a presença do indecifrável cigarro. Nessa era de anti-tabagismo restam poucas consolações, incluindo a sensação estranha de fumantes de identidade e solidariedade que se desenvolve à medida que fumantes se vêem como uma minoridade cercada, exilados de restaurantes e bares....


ti estin (o que é) um cigarro?

O cigarro é um amigo que ajuda a passar o tempo, melhora a memória e a concentração, modela emoções incompletas ou em estado de formação, alisa as pontas ásperas da vida, nebula as coisas quando necessário.

O cigarro é sublime, é uma beleza negra paradoxal. É um Prazer dolorido que vem inevitável de uma sugestão de eternidade; o gosto de infinidade num cigarro reside precisamente no gosto "ruim" que o fumante logo aprende a amar. Sendo sublime, o cigarro resiste todos os argumentos direcionados contra ele de uma perspectiva de saúde e utilidade.

O cigarro tem pouca significação como objeto a ser estudado filosoficamente. Ele em si não é especial. Mas é um símbolo demasiadamente ambíguo e é essa a graça. Seja ele um volume de um livro que abre e revela significados heterogêneos e múltiplos, é estético, psicológico: sendo fumado entre dois dedos, em forma de fumaça embriagante ou sendo oferecido direto de um maço.

-------

O fotógrafo francês Brassäi disse uma vez: "une Gauloise pour une certaine lumière, une Boyard s'il forsait plus sombre" (um Gauloise (marca de cigarro) para uma certa luz, um Boyard se estiver mais escuro), a diferença dessas duas marcas é o diâmetro do cigarro. E o que importa para Brassäi é que o diâmetro do cigarro determina o tempo que leva para fumá-lo. Numa famosa foto dele: auto-retrato, o cigarro é usado como uma alegoria do tempo. O cigarro não é meramente um cigarro, mas um relógio. Abre-se um buraco hermético na superfície da imagem que leva à uma dimensão diferente Quase imperceptível para os olhos à primeira vista, o cilíndro fumável se toma centro da fotografia. Essa importância que Brassäi dá ao cigarro é raro uma vez que o cigarro (ou o tabaco) sempre é um acessório à imagem. Incrível.
(para ver a foto clique aqui)

Eu fumo meu cigarro prazerosamente, e odeio os anti-tabagistas.


Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.




ana banana 9:10 PM[+]
.Quinta-feira, Outubro 06, 2005.
aí eu passei na paulista hoje e fui assistir um filme de-graça no espaço unibanco. E comprei samson e um zippo falseta pra variar um pouco os meus hábitos fumantes.
E me inscrevi numa academia pra entrar em forma.

Tive um sonho estranhíssimo, desses que você viaja o mundo todo e tudo é tão natural que você nem percebe. Uma são Paulo alongada, cinza e estranha, onde eu estava atrasada pra ir viajar de carro e perdi minhas malas, uma carona na qual pessoas apareciam e desapareciam do carro ; de repente Florianópolis com neve, e um espisódio do inferno de Dante descendo as escadas circulares e geladas, perda do varejão, encontro de um colega santacruzense, entrada no metrô e saída na paulista.; De volta à Paulista com ventos, uma amiga de cabelo raspado e correrias pela avenida deserta gritando bobagens. Dormi no vão do Masp, acordei num gramado verde da Pennsylvania e fui empinar pipa.

ana banana 10:50 PM[+]
.Quarta-feira, Outubro 05, 2005.
ana-sem-culhões.

to decepcionada comigo mesmo.

ana banana 10:41 PM[+]
Here comes the sun
And I say it's alright.

é. O sol apareceu em outubro, atrasado, mas apareceu.

bat macumba ê ê
bat macumba oba

mutantes é bacana sim senhor.

as pessoas da sala de jantar são as pessoas da sala de jantar

(o meu cigarro apagou eu vou dançar um rock'n roll)

meu refrigerador não funciona. Não Funciona, Não Funciona, Nããããão.

Ana Bananarama dançando na sala.

---desculpe, baby, não vou brincar com você----

ana banana 1:36 PM[+]
.Segunda-feira, Outubro 03, 2005.
está dito como verdade que a única atividade teorética não metafisicamente ingênua é a filosofia, que, só vai ser filosofia quando se referir à essência.

a admiração ingênua é a afirmação ou reconhecimento do outro como outro. Essa afirmação releva a disponibilidade que também traz a abertura - condição para a consciência- numa relação interdependente.


preâmbulo às instruções para da corda no relógio

ana banana 2:25 AM[+]
.Sábado, Outubro 01, 2005.
the city was silent.
there were no more questions, only the black noise of the night.


(um rascunho de gente, confusa e incongruente. Cai no abismo. nonsense.)


ana banana 3:55 AM[+]


Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.


ana banana 3:48 AM[+]