.Quarta-feira, Agosto 31, 2005.
o nome original do pancakes (pancake factor number one) vem de um verso de uma música do lou reed, do disco transformer. só praqueles que não sacaram a referência.

Eu queria chamar meu filho de Thelonious. Não vou, mas queria.

ana banana 12:27 AM[+]
Comments:

é preciso inventar um novo cinema. Um espetáculo de imagens, fotográfico, de ação e emoção, montagem temporal, musical, tenso e concreto, absorvendo e pesquisando todas as técnicas, cheio de esperança sem a qual não há trabalho revolucionário.

mais um post grande e sem nexo? talvez. Depende da minha vontade de escrever.
Calor. Calor seco e quente. Redundância. Mas esse calor é redundante em si próprio. Lembra da época em que a gente chavama agosto de desgosto por causa do frio?
três horas no sol cansa. exausta. eu estou exausta, mas não o suficiente para dormir. Ai, pensar em cobertores me deixa passando mal. Cabelo comprido é um problema no calor. Mas não vou cortar, o chateau não deixa. O chateau manda em mim. Ele quer água, eu busco. Mas tudo bem, eu gosto muito dele, mesmo.

Hotel Ruanda é um filme bom. Tenso, mas muito bom. Massacre em 1994, eu existia e sabia ler, mas não lembro de ler nada sobre Ruanda e os Hutus.
Ainda não fui no festival de curtas, mas pretendo ir...logo.
Eu queria saber flertar. Deve ser divertido flertar por aí, só pela atividade em si. E quando preciso de verdade, congelo.

coca-cola. gelada. hum. Cigarro não. Cigarro no calor me deixa com sede.
eu penso o seguinte:




ana banana 12:11 AM[+]
Comments:

.Sábado, Agosto 27, 2005.
Esse post é pra mim mesma, não precisa ler, já que é grande e é só um monte de divagações e pensamentos alineares. Não tem uma moral nem tese não tem. São só coisas que me deu vontade de escrever. Pra me divertir.

... O primeiro cigarro do maço é aquele que traz felicidade. Olho para o cigarro aceso, tímido, que solta a sua fumaça translúcida em ondas bonitas. Olho para o maço cheio. Sorrio. O maço cheio é delicioso, são todos os cigarros que virão a ser tragados. Cada um esperando a sua oportunidade, enfileirados; um para o ponto de ônibus, um depois do almoço (ah! O cigarro de depois do almoço), um pro café da tarde - sentado numa mesa simpática observando a cidade-, um para o intervalo, cinco para o bar, um pra madrugada, pra coca-cola... E me traz uma felicidade pequena...

O cigarro pensa por si só. Pensativo, pensa pensa pensa. Inspira. Inspira a fumaça e inspira as letras ambíguas. E por dentro me corrói aos poucos, mas por fora me traz tranqüilidade. Penso na aula sábado de manhã. No ensaio da bateria na hora do almoço. Penso em parar de pensar, mas continuo pensando. Divago, perdida, dentro do pensamento e escrevo apenas aquilo que consigo traduzir das imagens incompreensíveis. Olho a tela branca, o barulho do computador ligado, olho a madrugada cheia da vila madalena numa sexta-feira. Penso em Paris, como sempre acabo pensando. Penso nos meus amigos de longa data. O que estarão fazendo os amigos recentes, nessa madrugada? Apago o cigarro, o primeiro do maço, o primeiro dos dezenove que seguirão. Tomo um gole largo da coca-cola quase sem gás ao meu lado. Acendo outro, assim, um atrás do outro. Mas sei que esse vai ser o último da noite. Os outros dezoito hão de esperar.

É horrível, eu sei. Esse meu entusiasmo com o tabaco. Atrapalha-me na hora de nadar, de dançar... As pessoas se incomodam. Fazem cara feia, abanam a mão espantando a fumaça. Mas eu gosto, acho bonito até. É um momento seu. Apenas isso. Um cilindro prolongado entre o dedo indicador e o médio...
Lembrei do Páginas em Branco - Meu curta nunca terminado. É uma pena. Tem possibilidades visuais estéticas maravilhosas. E o cinema? E me volta a questão cinematográfica na cabeça. E os novos diretores do cinema brasileiro? Por que não eu? Por que eu não sou uma nova diretora? Vejo a vida em takes visuais. Tem gente que vê em fotos estáticas. Eu vejo em seqüências movimentadas. Ou paradas. Mas em seqüências. Em cenas.

Engraçado como nunca me apeguei a um instrumento. Nunca quis tanto tocar alguma coisa. Pulei de interesse em interesse, mas acho que prefiro escutar música a tocar. Saudades de tocar maracatu. Isso sim é divertido. E você se machuca inteiro, mas é demais. Alfaia, Mineiro, Abê, Gongô. Queria me aprimorar. A flauta ta guardada. Nunca mais soei uma nota da flauta.

Pensei em meditar. Bobagem, eu sou muito inquieta. Mas a idéia de recitar mantras me atrai, não-sei-porquê.

Gosto de andar as ruas cheias desse meu bairro badalado. Encontrar conhecidos nas esquinas, mas não conversá-los, só olhar de longe, acompanhar esporadicamente as suas vidas. Gosto de observar as pessoas em geral. E falar bem ou mal delas. Ou pensar sobre as vidas delas... Os rumos que talvez virão a tomar. Na Puc, às vezes sento no banco em frente ao refeitório, com minha coca e meu cigarro na mão, e fico observando... Engraçado como no meio de tanta gente a gente ainda se sente meio solitário. Mas não é uma coisa ruim. Só é. É quando a gente se reconhece como ser social. Como ser em geral.

Às vezes eu me pego cantarolando uma música debaixo do suspiro. Inconsciente assim. Agora estou com Ella e Luis na cabeça: a música "Can´t we be friends". Que é uma música apropriada. Sei lá. É jazz. Jazz é sempre apropriado.

Eu queria ter um programa de jazz no rádio. De domingo à noite. As pessoas cansadas, se preparando pra segunda-feira. Sabe assim? Das 10 as 11 da noite. A idéia de conversar com a cidade me encanta. E ao som de jazz... uh, que delícia.

É, ainda não me tornei uma pessoa misteriosa de ser rata de vernissage, cada dia num lugar diferente, exótico. Cada dia um dia novo, pessoas novas, interessantes, conversas filosóficas em essência, um filme besta, uma balada underground, uma exposição, um passeio no parque, uma cerveja as quatro da tarde, um bate volta pra praia... sei lá. Acho que é fantasia de todo mundo. Uma rotina de não ter rotina. Mas acho eu que as pessoas que fazem isso estão procurando alguma coisa. Como todos nós. A menina disse que segundo Lacan o homem nunca pára de desejar. Eu prefiro Freud, por ultrapassado que seja.

Será que vou conseguir o que quero? É o desconhecido que nos assusta. As perguntas irrespondíveis que coçam como areia na pele. Saudades do mar salgado. Do primeiro inspiro depois de mergulhar na água gelada e daquela sensação gostosa da água no couro cabeludo, da sensação de conquista. Conquista não. Da sensação de homogeneidade com o mundo. Piegas. É, eu sou piegas. Piegas e um monte de outras coisas também. Ainda não me descobri por inteiro. Mas eu me gosto. Do jeito que sou. Claro, mudaria uma coisa aqui e ali, mas não a estrutura. A estrutura de mim é bacana. É, bacana. Mas acho que todo mundo se gosta, se acha melhor que outrem. Se não não dá pra viver, não dá pra ser pessoa-vivendo. double v. Francês. Preciso aprender. É tão bonita a língua. "Paris, je t'ame¿.

O mundo ainda é uma grande incógnita. É um conto que foi me falado tantas vezes que acabo acreditando. Eu quero desvendar essa incógnita. Como se fosse uma equação algébrica, mesmo eu não sendo a maior fã de matemática. Weltanshauung. A revolução não será televisionada. Mas o mundo, esse mundo grande e pequeno ao mesmo tempo, lindo e feio. Ta aí, girando incessante, para eu ir descobrir. Um dia...

Queria sair por aí, pela estrada afora.



ana banana 2:18 AM[+]
.Sexta-feira, Agosto 26, 2005.
a pessoa de algumas palavras tem absoluta razão e agradeço por ter me lembrado das coisas. Eu estive presa num plano muito ultra-romântico, sem saída do labirinto. Muito álvares de azevedo demais.

É que quando a vida não vai de acordo com os planos é muito mais fácil reclamar do que qualquer outra coisa . Vou tratar de muda-la.


Agora.

ana banana 5:12 PM[+]
.Quinta-feira, Agosto 25, 2005.
you say you want a revolution...


cadê a revolução?

cadê nosso significado para a história? A boa música morreu? A vanguarda cultural? O liberalismo assumido? Os comunistas decadentes? A apatia política. A velocidade internética. A banalização generalizada. O sexo. A mídia em tempo real. A literatura de blogues. A nostalgia de u tempo que não vivi. Como usar a vasta quantidade de informações para mudar , renovar, chacoalhar, distorcer, espremer, revolucionar alguma coisa? E quê coisa?
Saco, essas divagações me deprimem.

O que fazer para não nos tornarmos chatos e repetitivos... e principalmente acomodados?


well, you know we all want to change the world.

ana banana 1:34 AM[+]
.Quarta-feira, Agosto 24, 2005.
Terra Seca Frederico Garcia Lorca

Terra seca
terra quieta
de noites
imensas.

(Vento na oliveira,
vento na serra.)

Terra
velha
do candil
e da pena.
Terra
das fundas cisternas.

Terra
da morte sem olhos
e as flechas.

(Vento dos caminhos.
Brisa nas alamedas.)


ana banana 3:16 PM[+]
sou a mais nova integrante do Garotas Suecas. Yay!

ana banana 3:09 PM[+]
eu sou super chata e repetitiva.

é só bróder também. humpf

ana banana 3:23 AM[+]
.Segunda-feira, Agosto 22, 2005.
Não é primavera, é inverno e vivo pesando duzentos quilos de grilos e medos boçais.
Que criança eu sou, querendo enlouquecer em surtos e pirações sem pé - nem cabeça. Querendo inovar na esquisitice, revolucionar no olhar e não-sei-o-quê. Queria me divertir com alguém (quêm?), divertir alguém. Acho mesmo que preciso limpar a mim mesma. Limpar esse egocentrismo desconfortável. Talvez a arrogância não seja necessária - mesmo que divertida - talvez o bode expiatório se cansou de expiar. Sei lá eu, o que fazer. Desconforto é desagradável. Odeio.
Parece que sou feita de giz.

Por quê é que as pessoas se perguntam coisas quando não conseguem o que querem?

Mas a resposta acho que é passear de mãos dadas com o ar.

E por perder-me é que vão me lembrando

E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente

ana banana 12:47 AM[+]
.Domingo, Agosto 21, 2005.
me pediram pra escrever um texto hoje, depois de comer bem, que, segundo um, me faz pensar melhor. É. Não sei se dá pra escrever sob pressão, algo estrondoso e genial. Mas digo o seguinte: Tem coisas confusas na minha vida, no dentro de mim, que vão reaparencendo cada vez que a história se repete. São coisas que eu quero aniquilar, quero me espremer até que saia pelo canto dos olhos, do ouvido, da boca, dos poros. Quero que vá embora. E eu sempre acho que sou um pouco bem sucedida quanto a isso. Mas é mentira. A maior mentira que eu já contei pra mim mesma. Está cá dentro, enraizado. Acho que preciso de ajuda nessa guerra contra uma parte do meu eu . Quero mudar. Quero mesmo. .

ana banana 8:45 PM[+]
.Sábado, Agosto 20, 2005.
e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

ana banana 1:38 AM[+]
patê de peito de peru e nescafé numa casa que eu nunca tinha entrado com uma pessoa que eu nunca tinha visto - e nem sei o nome.
passeio pela madalena que eu não conhecia, casas simpáticas tipo anos-90. Som no fundo, vindo de uma salinha.

ana banana 1:33 AM[+]
.Sexta-feira, Agosto 19, 2005.
minha vida tá assim:

-tô quebrada pro mês
-minha rotina é uma bosta
-nunca estive tão entediada na minha vida
-fico baixando discos inteiros do soulseek
-baixa auto-estima
-vontade de pirar.


Face The Truth - (disco novo do) Stephen Malkmus

ana banana 1:16 PM[+]
.Quinta-feira, Agosto 18, 2005.
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?


(cecília meireles)

ana banana 5:38 PM[+]
.Terça-feira, Agosto 16, 2005.
como eu queria ser a menina dos cílios pintados que come o mundo com as mãos frágeis e nada pede em troca de um meio sorriso. Esses sorrisos de canto de boca são mais preciosos do que os dentados: brancos ou amarelos. São aqueles que deixam a pele suave e tem gosto de melancia gelada num dia de sol. E não precisa dizer nada. Nada soa da garganta arranhada. É um não dizer que significa mais que todas as línguas misturadas num só som. Todas as palavras inventadas pelos homens de chapéu que andam cabisbaixos nas avenidas sombrias. E sobro eu. Eu que a mim desgosto o limão no céu da boca; que escuto o canto do pássaro na árvore mas que não entendo o que diz. Eu que não sei nem decifrar nem devorar a esfinge que me questiona, sentindo o vazio nas costas doídas e o tédio nas têmporas. Que côr tem o tédio? Flicts? Não. Flicts é especial. Foi pra lua, não foi? Tédio não é especial. É comum. É café com ameixa numa tarde chuvosa e deveras quieta. É o vazio que bomba entre o ouvido e o olho. Ouvido que nada vê e olho que nada escuta. A menina que come o mundo não sabe o tédio. Sabe tudo, mas não o tédio. Sabe as telhas de barro, e o sol pela janela. Sabe o gosto da laranja e da manga. Sabe que tem fome. Sabe que as portas abrem e fecham, assim como o olho-diamante. Não se importa com teorias metafísicas porque ela sabe tudo dentro dela.

ana banana 3:51 PM[+]
No peito uma dor que entope a fala e que a pede. Uma dor inexplicável e insolúvel que brota águas e uivos lancinantes e não pára e nada pára. A dor dos desastres recorrentes. A dor que já não sei se é de mim, se de tudo ou de tanto nada. A dor que quero curar e nada cura. Como queria quem me ensinasse o mundo.


ana banana 3:36 PM[+]
.Segunda-feira, Agosto 15, 2005.
Minha data foi marcada! Serei a dj convidada na Fun House para o dia 17 de outubro de 2005.

ana banana 2:43 PM[+]
.Domingo, Agosto 14, 2005.
Somos bonecos da era da Grande Manipulação Global e vivemos sob os olhos frios das teleobjetivas do Big Brother do Orwell. Os imbecis acreditam que hoje tudo é possível. Acreditam-se livres e não percebem que a vida nunca foi tão programada. A fragmentação tomou conta de nossas vidas. Triunfo do momentâneo e dos abismos superficiais. Estamos num permanente vídeo-clip.


ana banana 11:13 PM[+]
campari rock.

bebida esquisita de graça. Forgotten Boys é ruim mesmo, mas Mercenárias é pior e a guitarrista parece o Sting. Perdi Los Pirata e Objeto Amarelo, mas tudo bem.
Muito tempo de pé e pernas doloridas. Encontro inesperado de claudiovan + zene. Show fodaço dos velinhos energéticos do MC5 que sairam e entraram no palco duas vezes. E o vocalista convidado perdeu um sapato na platéia enquanto fazia seu mosh. Shakin' Street. Cantei OHHH YEAAAHHH, na parte interativa do show. Ótima compania do sr. Tomaz - garotas suecas/ Superphonia, agora sem bigode. Miller é ruim, mas a conversa foi boa. Só não foi bom o que não aconteceu. ié. (ah, e a fila da saída. Não foi nada bom.). Resultado: 4:30 indo pra casa planejando roubar um cone asteca.

ana banana 5:30 PM[+]
.Sábado, Agosto 13, 2005.
Narciso da Moóca.

"Quando Ismália enlouqueceu
pôs-se na torre a sonhar
viu uma lua céu
viu uma lua no mar"


"Narciso acha feio
tudo que não é espelho"


Narciso Souza Dias, morador da Moóca e formado em engenharia química sempre teve uma fascinação pelo processo de criação de espelhos. Desde criança sabia que era isso que queria fazer da vida. Entrou numa fábrica como aprendiz, e foi subindo na hierarquia até que finalmente foi nomeado presidente. Passava horas analisando minuciosamente os espelhos. Depois de alguns anos, já experiente, Narciso resolveu que queria inovar a forma de produzir espelhos. Sonhou um dia com uma fórmula química. Desde então se trancou no laboratório, uma sala pequena num corredor sombrio no alto da fábrica. Era lá que ele dormia e comia. Foi passando os meses e Narciso continuava trancado lá, estudando e experimentando cientificamente. Com cada falha vinha uma maior obsessão. Aqueles poucos que o viam diziam que Narciso murmurava compostos orgânicos com cada expiro. Ouviu-se um grito, mas maior foi o silêncio que precedeu. Os trabalhadores correram até o laboratório pensando que a descoberta da fórmula revolucionara era certa. Ao abrirem a porta, depararam-se com o corpo ensangüentado de Narciso entre milhares de cacos e espelhos. Nunca souberam ao certo o que aconteceu naquela sala, mas não passou desapercebido aos funcionários a ironia da vida de Narciso.

ana banana 9:45 PM[+]
.Sexta-feira, Agosto 12, 2005.
as vezes eu me pergunto, ao entrar no blógue pra escrever, quem é o tal bloggerman? Eu imagino que seja o cara mais loser da face da terra. E meio creepy também. Um voyeur frustrado.

ana banana 1:52 AM[+]
cada macaco no seu galho chô chuá



ana banana 1:03 AM[+]
estou recrutando pessoas criativas que gostariam de entrar no meu projeto pro festival do minuto universitário.

ana banana 12:57 AM[+]
.Quinta-feira, Agosto 11, 2005.
Je m'appelle Ana
Je suis Brésilienne
Je suis étudiante de Relacion Internacional
J'habite Vila Madalena
J'ai dix huit ans
j'ame Paris.


e assim começa a saga francesa. Un expresso, s'il vous plait!

Les triplettes de Belleville - tema do filme

ana banana 11:11 PM[+]
.Quarta-feira, Agosto 10, 2005.
ana esquizofrênica


eu sou que nem macunaíma: muita saúva e pouca saúde, os males do brasil são.

Já viu Castelo Animado? Não? Veja já!
E meu livro-de-mentirinha promete ser um bestseller. Estamos recrutando jovens beatniks dos anos 00 para escreverem contos nonsense e filosofarem com as tartarugas.
Olha, mas que lindo o que vejo é uma caronaaaaa.

Livro de auto-ajuda é engraçado. Tava folhando um que dizia que para ser feliz é necessário decorar a música New York, New York do sinatra e ensina a amar-se a si próprio. Se eu fosse escrever um (e deve ser fácil) se chamaria O diamante interno do eu: uma jornada pelo auto-conhecimento otimista.


Jupiter Maçã é um rock-star brasileiro decadente que usa casacos de pelúcia azul e entra no palco bêbado e cherado da coisa errada. Tipo chá-de-pilha. As músicas esquisitas de dez minutos e a mulherzinha frenética com o baterista-filho-de-um-dos-mutantes, Thunderbird no baixo, um cara com uma trompetinha de plástico e um guitarrista vintage fizeram o show ser absolutamente hilário. O tom decadente, seja ela proposital ou não, deixaram as coisas interessantíssimas. Massa. Conheço uma dupla folk cowboy-disco que teriam adorado. Tocaram todas menos Orgasmo legal. Crises de mau-humor não me incomodam não não mais.... ié ié ié. Miss lexotan 6mg, garota. Mademoiselle Merchand, envolvimento íntimo com peças raras.Orgia Niilista muito mais paulista (até doismilevinte seria revisitado e vira hit nacional), Aonde está o remédio, aonde está a solução?


Poesia inconstante. Um novo estilo literário. Absolutamente tudo sobre absolutamente nada (esse não é o livro do Seinfeld?). Parolagens incessantes. Dicionário. Visionário. Broto. Pin Ball . Paçoca. Bananarama. Já leu a Liga extraordinária?

(eu sou terrível, e é bom parar....)

Analgésico para a mente, por favor.



ana banana 12:43 AM[+]
.Terça-feira, Agosto 09, 2005.
show do jupiter maçã.hoje.às 20h.no teatro do sesi. eu vou.:ié:.

ana banana 1:01 PM[+]
the diamond as big as the ritz. Fitzgerald.

ana banana 12:58 PM[+]
.Quinta-feira, Agosto 04, 2005.
... e as linhas, que num determinado momento se convergiram num único ponto estranho de suas trajetórias, agora parecem ter tomados rumos oblíquos. Geometricamente talvez se encontrem em parábolas ou hipérboles tridimensionais. Mas agora estão em planos diferentes, com cores e formas diferentes. Talvez nem fossem linhas, mas objetos indecifráveis...

ana banana 12:48 AM[+]
- Conselhos. Mas existe um grande, o maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho. É com enorme esforço que consigo me sobrepor a mim mesma. Eu não sou, estou sendo.

Como estar ao alcance da profunda meditação do silêncio? Desse silêncio sem lembrança de palavras?...ele é vazio e sem promessa. O Silêncio é a profunda noite secreta do mundo. Os ouvidos se afinam, a cabeça se inclina, o corpo todo escuta: Nada. É um Silêncio que não dorme: imóvel mas insone. Inútil querer povoá-lo com possibilidades de voz.
Há uma maçonaria do silêncio que consiste em não falar dele e de adorá-lo sem palavras. E o coração bate ao reconhecê-lo: pois ele é o de dentro da gente. Pode-se depressa pensar em assuntos a falar ou a pensar mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. No começo o silêncio parece aguardar uma resposta - como arde por ser chamada e responder.

O Silêncio me soa engraçado. Tenho vontade de rir dentro do constrangimento. Sorrio, ao menos, sempre é alguma coisa o sorrir.

Mas a maçonaria sabe que de você ele nada exige, talvez apenas o seu silêncio - como forma de percepção (e talvez adoração).

Não tenha medo do meu silêncio.

ana banana 12:21 AM[+]
.Quarta-feira, Agosto 03, 2005.
O que uma lagosta tece lá embaixo com seus pés dourados? Respondo que o oceano sabe. Por quem a medusa espera em sua veste transparente? Está esperando pelo tempo, como tu. Quem as algas apertam em teus braços?, perguntas mais firme que uma hora e um mar certos? Eu sei perguntas sobre a presa branca do narval e eu respondo contando como o unicórnio do mar, arpado, morre. Perguntas sobre as plumas do rei-pescador que vibram nas puras primaveras dos mares do sul. Quero te contar que o oceano sabe isto: que a vida, em seus estojos de jóias, é infinita como a areia incontável, pura; e o tempo, entre uvas cor de sangue tornou a pedra lisa encheu a água-viva de luz, desfez o seu nó, soltou seus fios musicais de uma cornicópia feita de infinita madrepérola. Sou só uma rede vazia diante dos olhos humanos na escuridão e de dedos habituados à longitude do tímido globo de uma laranja. Caminho como tu, investigando as estrelas sem fim e em minha rede, durante a noite, acordo nu. A única coisa capturada é um peixe dentro do vento.

P.N.


ana banana 1:40 AM[+]
.Terça-feira, Agosto 02, 2005.
Impressões de um autista

O zumbido dos carros lá em baixo, as pessoas andam com seus determinados objetivos. É tudo tão complicado. Eu observo tudo isso da minha janela. Assim como a imensidão azul acima de mim. Da minha janela vejo tudo, sou livre para imaginar os destinos das pequenas formigas que se assemelham a pessoas ocupadas. Vôo dentre os sonhos peludos e macios, e, distante da vida, sou livre.
E me instalei aqui. Entrei no armário que leva a Nárnia, e nunca mais voltei. As pessoas não entendem as maravilhas que eu vejo e percebo, e não me percebem. Há uma espécie de força invisível que os afasta de mim. Mas de qualquer maneira nunca poderiam viver como eu vivo.
Hoje está chovendo. Como essas gotas translúcidas me fascinam. Caem em sincronia, graciosas. Acompanhando-nas com a cabeça, depois de alguns momentos, ficam como linhas retas de água, contínuas, despejando-se na terra, no concreto. A terra, que num primeiro momento engasgava de sede, agora se afoga com o excesso.
Ouvindo a chuva cair, num berro um pingo aqui, fico sozinha, distraída.
As gotas escorregam, como se fosse uma brincadeira, no telhado vizinho. E agora que a chuva cessa hesitam um pouco. Quando o sol ainda fraco aparece, elas se aglutinam em pequenos casulos nas janelas, nas telhas, nas paredes, nas antenas, nos fios elétricos, nas chaminés, nos carros, nas árvores, nos guarda-chuvas das poucas pessoas que timidamente saem de seus alojamentos...
Passos subindo a escada, ouço atentamente. São os adultos que moram aqui. Seria tão melhor se eles me deixassem sozinha. Estão sempre presentes: quando como, quando durmo...
Hoje eu não quis dormir. Observei o absoluto e tão profundo preto fora da minha janela. Agora as ruas estavam vazias. Não havia ruído algum, não havia formigas passeando. Um carro estacionado mostrava um aspecto peculiar: parecia que tinha dois tons de vermelho. Passei três voltas do relógio nesta mesma posição, observando o curioso carro vermelho. Quando meus olhos já não permitiam mais, deixei o carro vermelho na escuridão do mundo e me retirei para meu aposento.
Das pálpebras negando o mundo veio-se tudo. Levantei como de costume. Num dia frio como devia ser o inverno, ainda me sentia quente das cobertas grossas e pálidas que me proporcionaram sonhos tão bons. Fazia tempo que não sonhava. Sonhei com cores aconchegantes, chuvas mornas me acariciando, números se alinhando de forma lógica. Ah! O preto tão protetor, o amarelo cativante e iluminador, o branco suave das plumas, e o vermelho... Ah, o vermelho.
Deixei os sonhos com os lençóis amassados e parti para a cozinha. Ao me servirem o desjejum, os estranhos, que eu anteriormente mencionei, tentavam através de gestos rítmicos e falas sem sentido, se comunicarem, talvez, comigo. E, para fazê-los irem embora, usei uma habilidade que há pouco tempo descobri, de soar o que seria uma extrema vibração de minhas cordas vocais.
Encolhi-me com a cabeça entre as pernas. Era uma posição confortável. E depois de um tempo me encontrei entretida com meu balanço. Quando já me cansara dessa atividade, voltei para minha janela. Passei a voar entre as nuvens, livre, longe daqui. Onde eu vivia com o vermelho, o amarelo, o preto e o branco.


ana banana 1:15 AM[+]
hit list de inverno (férias literatas)

The Scarlet Letter - Nathaniel Hawthorne
Crime e Castigo - Dostoevsky
Verdes Vales do Fim do Mundo - Antonio Bivar
Harry Potter and the Half-Blood Prince - JK Rowling
Uma Aprendizagem ou o livro dos Prazeres - Clarice Lispector
S. Bernardo - Graciliano Ramos



ana banana 1:13 AM[+]