.Domingo, Julho 31, 2005.
A mentira tem perna curta?
"depois... depois a verdade
a fria realidade
a solidão, a tristeza" M. Assis

O grande provérbio popular e um explorado xavão em relação à mentira pode ser questionado. A mentira tem seu peso social: é necessário saber mentir para manter um código de conduta aceitável. Temos como exemplos clássicos o corte de cabelo, a roupa cotidiana, a lição de casa, etc.
O uso de informações falsas é conhecido nas artes militares desde os primórdios das ações militares. Maquiavél já dizia que governar é "fazer crer" e Sun-Tzu escreveu em sua obra que a arte da guerra consiste 'de engodo' . Apesar das grandes gafes históricas que envolvem a mentira - como por exemplo o caso Dreyfus na França ou o envolvimento do governo estado-unidense na ditadura chilena - a ilusão, o juizo falso, foram também usadas com razões legítimas com o propósito de evitar conflitos, motivar a população a se unir contra um mal comum e, enfim, manipular uma situação para que os resultados sejam benéficos. A frase "os fins justificam os meios" presente em O Príncipe é substancialmente verdadeira, mas apenas na medida em que estes meios não entram em contradição com os fins ansiados. A mentira pode ser usada quando se quer ressaltar uma verdade. Exagerar um fato para deixá-la em evidência. Se o autor ou autores da mentira tem uma visão dogmática do mundo e se julgam detentores de uma verdade absoluta, ele ou eles não hesitarão em aplicar a mentira que julgam válida.
A mentira é, portanto, muito ligada à noção da crença, daí derivando para a questão da formação da opinião. é uma arma valiosa no arsenal de qualquer beligerante e serve tanto para a guerra (como classicamente entendida) como para a propaganda política e pode ter utilidade, assim, tanto no conflito externo quanto nas lutas políticas internas.

ana banana 6:08 PM[+]
Comments:

.Sábado, Julho 30, 2005.
google earth

só porque eu me viciei nesse troço.

ana banana 5:21 PM[+]
Comments:

desaprendi a dormir. São agora nove horas da manhã e não consegui negar o mundo por nem um instante. Não sei o que acontece. Acho que é a necessidade de experimentar do modo auto-piloto. De ver as coisas mecanizadas como o pressionar das teclas e e e... não sei, não estou fazendo sentido. São as sinapses deixando de funcionar muito bem. E cá estou, presa dentro do meu corpo cansado, tentando fazer algum sentido dessas incoerências. Mas essa inércia continua e eu mantenho os olhos abertos e continuo apertando as teclas. Sinto sede. Mas, como pegar um copo d'água? O sol brilha lá fora e eu escuto os pássaros cantarem. Luminescência. Tem feira hoje, me lembrei. Acho que vou comer um pastel com caldo de cana. Quero quebrar as regras. Perde-se a noção de tempo nesse estado. Me lembrei do Clube da Luta. Quero escrever um conto. Não. Quero poder ir dormir, mas não consigo. Não consigo, não consigo, não consigo. Talvez se eu tomar um copo de leite quente. Mas é melhor esperar. Em tempo o sono há de vir.

Aprendi que se deve viver apesar de. Foi Ulisses quem me ensinou, ensinando a Loreley.
Às vezes as coisas começam com um sim, às vezes começam com uma vírgula, mas deviam sempre acabar com dois pontos (ou reticências, não sei)

...:


ana banana 8:59 AM[+]
Sin City

Cinematograficamente delicioso. Mistura o Noir blasé com a violência necessária. E da-lhe violência. As personagens são essencialmente as mesmas, mas talvez essa tenha sido a intenção. A prosa é ótima, pelo que me disseram foi tirada letra a letra do quadrinho. Eu me lembrei de Pulp Fiction.
Recomendo mesmo mesmo. Com two thumbs up do Siskel & Ebert. E já ouvi dizer que o segundo está a caminho.
é a cidade do pecado, sim senhor.

ana banana 8:45 AM[+]
ana por ana

a menina metamorfose
ou
auto-retrato escrito
ou
gosto por ser
ou
narcisismo palavreado
ou
a menina palíndromo





ana banana 8:03 AM[+]
.Quinta-feira, Julho 28, 2005.
por thaís com mil sorrisos meus

Ana é Paris.
É coca-cola de máquina com Lucky Strike.
É limão, muito limão...

Aninha é Marilyn Monroe de plumas.
É um passeio de fim de tarde pela paulista.
É uma longa conversa sem assunto pelo msn, é a maior bolsa do mundo, o casaco mais legal que o meu, um olho pintado, é uma bela música de Nouvelle Vague...

É aquele jeitinho esnobe de se mexer no cabelo.
Uma malvadeza necessária.
Uma ironia divertida.

Ana Wainer é a garota dançante dos cabelos esvoaçantes.
É minha amiga que tanto gosto.



(Banana caramelizada. Sem tídio. Nhi.)

ana banana 6:58 PM[+]
ha! Esclarecimento finalmente.

eu e o moço que uma vez inundava minha cabeça idealizadora finalmente tivemos uma conversa franca e aberta sobre a núvem negra dos últimos cinco meses. Como é bom perceber-se os erros e acertos e rir abertamente um do outro. Voltar-se ao ponto de início. Agora pensando, nunca teria dado certo mesmo. Digo com certa cara fronhada e talvez irônica que a obsessão e a incongruência às vezes são aspectos bons. Talvez eu não deva abandonar meus métodos. (Ou talvez sim).

ana banana 3:28 AM[+]
A mágica harrypotteriana

Acabei o sexto livro "Harry Potter and the Half-Blood Prince"
Pode ser falha de personalidade, mas eu gosto e pronto. E esse é bom. eu gostei.

ana banana 3:18 AM[+]
.Quarta-feira, Julho 27, 2005.
filme bacanudo

A Fantástica Fábrica de Chocolate do sr Willy Wonka é realmente um produto do Burton, divertidíssimo por sinal. E o Johnny, meu querido, nunca deixa a desejar. Em suma, se eu fosse um Siskel&Ebert daria um thumbs up.

preview:sexta tem Sin City.

That's The Way I Like It - KC & The Sunshine Band

ana banana 3:49 AM[+]
.Segunda-feira, Julho 25, 2005.
Carioca da GEMA

é, o Rio de Janeiro continua lindo com seus tiroteios espontâneos, trânsito caótico. Mas a praia tava bonita. Solzinho de inverno, água de coco, turistas mil. Conheci a moça inquieta - muito simpática, por sinal - na Livraria vinte-e-quatro horas. Acho que devia ter isso aqui em São Paulo. Acho mesmo.
Não fomos à Lapa, eu e sr. chateau, não caímos no samba carioca, infelizmente.

Li o correspondente ao que seria beatnik brasileiro: Antônio Bivar com sua obra Verdes Vales do fim do mundo. Presente das inquietudes. Gostei bastante.

Que mais do Rio? comida boa da vovó, muita comida mesmo. Não se incomodem se me virem por aí com a silhueta mais rechonchuda.



ana banana 10:33 PM[+]
a conjunção de histrionices símias

Não foi má-vontade - peguei o livro com perspicácia . Juro que tentei conter minha arrogância . Mas logo nas primeiras páginas constatei que os historicismos desequilibrados de Dan Brown jogavam a trama num clichê modernismo sem precedentes. O Código Da Vinci é tão atraente quanto o cabelo da Betânia . A obra se vale da babaquice do leitor, que só consegue chegar ileso ao final da história se acreditar que O Brasil quitará sua dívida externa
Mas vamos nos mutilar numa análise detalhada: os personagens, por exemplo parecem ter saído de um Guimarães Rosa distorcido chegado a um bicho estranho, disléxico e com tendência à esquizofrenia . A história é, do começo ao fim, conjunção de histrionices símias - e o desfecho, até para os corações mais bondosos, não passa de masoquismo . Mesmo quando remete a Sartre, o livro o faz de forma medíocre. Dan Brown faz Clarice Lispector rolar no túmulo.
Não há formas de ser condescendente: a deterioração que a personagem principal exala deixa um perfume barato em todas as páginas feito um muro de obtusidade que macula de forma grotesca qualquer forma de literatura.
Conselho: se você encontrar O Código Da Vinci nas prateleiras, não hesite, fuja.

Pronto, agora eu já sou um profissional da ofensa vazia





ana banana 10:27 PM[+]
Eis minha Música Tribalista

Menos e mais


Aportei em Arcoverde, Berlim
Dois mais dois é igual a mais
É hora de curar, hora de girar
Avistei barco
Quero sapo no sobrado suculento

Bis

Lesera louca levitates me
É hora de curar, hora de girar
Sossega meu sobrinho, oh yeah!
Sou menos e sou mais marlene
Sou eu e sou nós
Balanço baixo, não brinque
É hora de curar, hora de girar


Repita 75 vezes até que alguém cometa suicídio.

Veja a música tribalista do chateau ou faça a sua

ana banana 9:09 PM[+]
.Quinta-feira, Julho 21, 2005.
new Evil Plan!
Your objective is simple: World Domination
Your motive is a little bit more complex: Power

Stage One:

To begin your plan, you must first Kidnap a Rich and Powerful CEO. This will cause the world to sit up and take notice, stunned by your arrival. Who is this Evil Genius? Where did she come from? And why does she look so good in Classic Black?

Stage Two:

Next, you will Seize control of New York. This will cause countless hordes of Mobsters to flock to you, begging to do your every bidding. Your name will become synonymous with Insanity, as lesser men whisper your name in terror.

Stage Three:

Finally, you will Reveal to the World your Great Supernatural Forces, bringing about an End to Sanity. This will all be done from a Underground Secret Headquarters of Doom, an excellent choice if we might say. These three deeds will herald the end, and the citizens of this planet will have no choice but to elect you their new god.

Trust us, it'll all come together in the end.


crie um plano maligno você também

ana banana 3:15 AM[+]
i am bored

ana banana 3:08 AM[+]
.Quarta-feira, Julho 20, 2005.
e vem a angústia tudo de novo. A questão que não quer calar, que tortura a mente por demais. "Por que você tá fazendo Relações Internacionais?" "Ah, porque o curso é bacana..." E realmente é. Um coquetel de humanas, eu diria. Conhecimento pra burro que vai alimentando prazerosamente o vazio de dentro das pessoas (meu, pelo menos). Devorar textos do Geertz, discutir Foucault, ter uma visão crítica de Marx... sei lá, cara, esse curso é foda. É delicioso. "Mas, você fala tão apaixonadamente do cinema...vai fazer audiovisual, ué". É, eu sei. Cinema é a minha vida. Ou o que quero fazer com ela. Vendo Koyaanisqatsi na casa do Thom o outro dia, eu passei mal: é aquilo. Sei lá, não dá pra por em palavras o que sinto pela 7a arte. É vontade de ficar na produção, gritando, descabelada, sem dormir ou comer a três dias, vivendo do cigarro e do stress, gritar com os atores, com as câmeras... ficar trancado numa salinha editando take por take, e ver um produto final: aquela sua idéia maluca de conversa de bar tá ali na sua mão. Conseguir combinar a luz com a intonação da voz com a imagem com a música, tudo numa trama interessante. Ter em mãos um produto seu (e de dezenas de pessoas) e mostrá-lo ao mundo. Ai... eu quero. Mas a preguiça de voltar a estudar física e matemática num cursinho desses é muito grande. Sem contar a insegurança financeira de uma carreira de cineasta. Ao mesmo tempo, não quero acordar aos 40 e me arrepender de não ter feito. E aí fico me remoendo ao pensar nisso. Dá inveja ver as pessoas fazendo clips com libélulas esvoaçantes de botas verdes, fazendo projetos de um minuto, produzindo por aí e eu aqui, na frente do computador pasmando.... Se eu tivesse uma câmera mini-Dv, eu faria maravilhas.

ai, sei lá.

vomitei tudo que tinha, agora só sobrou gelatina.

ana banana 2:31 AM[+]
I could write a book.
A book about the life I'd like to have lived.
The things I'd like to have done.
Things like writing books.

ana banana 2:15 AM[+]
.Segunda-feira, Julho 18, 2005.
blast from the past.
A mais nova descoberta na língua portuguesa: A maior palavra do nosso paladar literal é: Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico - que é uma doença rara contraida quando se inspira cinzas de um vulcão.
Mais uma das aventuras semânticas de ana banana no país do tédio.


ana banana 1:32 AM[+]
.Domingo, Julho 17, 2005.
menino afrikaner baixinho com o cabelo repartido ao meio e ensebado da África do Sul. Menina gorda com bochechas vermelhas de uma região agrária da escandinávia (que pega duas horas de ônibus pra ir pruma rave). Menino boliviano que tem diversas verminosas, barriga d'agua, fuma cigarros de palha até o talo e é bem moreninho. Menina alta e lânguida, desengonçada. Cabelo eletrificado e crespo. Bibliotecária de Paris, unhas grandes. Encontraram-se todos numa balsa indo pro alto mar.

ana banana 6:03 PM[+]
tem livros que você lê que te puxam pra dentro deles e você é engolido por ele. O crime e Castigo é assim.

ana banana 4:54 PM[+]
samurai champlu

ana banana 4:43 PM[+]
.Domingo, Julho 10, 2005.
você se acenderá como um cometa para apagar na escuridão

ana banana 4:52 AM[+]
(thalita: eu não consigo mais comentar no inquietudes . Parece que meu IP tá numa lista negra da Internet e eles não me deixam! Mas tem muitas coisas que eu quero comentar...muitas muitas. Ai. Saco )


ana banana 12:55 AM[+]
dobradinha: ask yourself (the book of questions) #3

if you could script the basic plot for the dram you will have tonight, what would the story be?

ana banana 12:49 AM[+]
ask yourself (the book of questions) #2

if you were able to live to the age of 90 and retain either the body or the mind of a 30-year-old for the last 60 years of your life, which would you want?



ana banana 12:39 AM[+]
Ana, a menina gigante

"Ana é menina, bailarina. Aquela que rodopia sobre a caixinha de música. A cabrocha de todo samba. Samba de preto velho, salve-simpatia, samba de preto tu. Menina Carnaval, confete e serpentina. Ela que enfeita a noite com purpurina e ilumina tudo com as luzes de Olinda. Ana é saudade como o sol que esquenta a pele em tarde morna. À beira mar. Porque ela é barulho de mar quebrando. Bossa nova. Banquinho e violão. Ana é tão grande que não cabe nem em todas as palavras. É maior que a distância entre Recife e São Paulo. Maior que todos os braços juntos num só abraço. Tão grande que não cabe em si e se espalha pelo mundo. E o mundo, encantado, agradece."


queria que me escrevessem coisas bonitas assim. Achei num surfe internético perdido pelos blogs que vão lincando por aí.

ana banana 12:16 AM[+]
.Sábado, Julho 09, 2005.
pluralismo

Cependant cette synthèse des arts, qui s'est consommée de notre temps, ne doit pas dégénérer en une confusion. C'est-à- dire qu'il serait sinon dangereux du moins absurde, par exemple, de réduire la poésie à une sorte d'harmonie imitative qui n'aurait même pas pour excuse d'être exacte.


Oppresso di stupore, a la mia guida
mi volsi, come parvol che ricorre
sempre colà dove più si confida;
e quella, con la sua voce, che 'l suol ben disporre,
mi disse: «Non sai tu che tu se' in cielo?



¿Te ríes ?... Algún día
sabrás por qué:
tú lo sabes apenas
y yo lo sé.


Wieviel Uhr ist es? - Alte Redensart

Jedermann weiß, daß der holländische Marktflecken Spießburgh der schönste Ort der Welt ist - oder ach! war.



1:20 et facite legi Colosensium vobis.



ana banana 2:23 AM[+]
.Sexta-feira, Julho 08, 2005.
eu tô pronta. Juro que tô. Agora resta esperar.

(momento de lucidez às quatro horas da manhã.)

Making plans for Nigel - Nouvelle Vague

ana banana 3:35 AM[+]
tudo que é sólido desmancha no ar....

ana banana 3:34 AM[+]
.Quinta-feira, Julho 07, 2005.
A dúvida metódica e a dúvida cética.


A dúvida cética é espontânea, natural. Ela é mais radical, mais profunda ( e por isso se torna mais ampla), mais demolidora, incontrolável.
A dúvida metódica é intencional, artificial, provocada e programada. É menos radical, mais superficial, menos esvaziadora, controlável (intensificando-a ou a armazenando). É uma insegurança que pode virar um redemoinho, aparece em todo mundo mas depende das circunstâncias de cada pessoa.


A dúvida metódica pode se tornar a cética se o controlável passar do limite e virar incontrolável.
A dúvida cética pode se tornar a metódica: ao analisar alguma coisa (como um texto) que proporciona uma segurança nova, um novo controle é criado e a dúvida se torna metódica.


ana banana 12:41 AM[+]
.Quarta-feira, Julho 06, 2005.
ask yourself (the book of questions) #1

would you rather be rich and beautiful or poor and ugly?

ana banana 11:18 PM[+]
.
esquizofrenia.disléxico.maluco.apatia.distúrbio.ADD.bipolaridade.angústia.náusea.dúvida experiência.negativa.existencial.passiva

nadificar a lassidão


Berimbau na Gaita - Blues Etílicos

ana banana 3:52 PM[+]
.Terça-feira, Julho 05, 2005.
A chuva chove mansamente... como um sono
Que tranqüilize, pacifique, resserene...
A chuva chove mansamente... Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine...

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene

... Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha...
Paço de imensos corredores espectrais,



(eu queria que estivesse chovendo. Queria uma melancolia que só vem com a chuva. Um momento passageiro melancólico e bonito - como uma música de jazz: eu, a chuva, a chuva e eu. sentada olhando o céu choroso e a fumaça subindo e o mundo quieto. E o barulho da chuva no telhado e eu sentada olhando a chuva fumando meu cigarro e pensando na vida - melancólica. )

ana banana 1:28 AM[+]
.Domingo, Julho 03, 2005.
Lolita Pille. Um nome para se lembrar

ana banana 5:23 PM[+]
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.


ana banana 5:22 PM[+]
.Sexta-feira, Julho 01, 2005.
papo furado

- oi

(nessa hora os sentidos se dissolvem, a vista fica manchada, os batimentos cardíacos triplicam sua freqüência, a pressão sobe e abaixa com grande rapidez, as mãos suam, as sinapses falham: a grande maquinaria bioquímica que é o corpo humano se torna numa nuvem caótica).

- oi...

Eu estava tranqüilamente sentada, rindo com meus olhos para o dia rotineiro, e você de repente apareceu...Mas eu não tinha um roteiro bolado, nem frases feitas, eu não estava preparada. Na minha cabeça discutíamos a influência existencialista na música, criávamos paradigmas pra complexidade; mas você me pegou de surpresa e o pânico que me tomou chacoalhava meu microcosmo. Você me falava de coisas simples, regras do convívio social, mas me soava como sânscrito ou esperanto e eu precisava desesperadamente de um intérprete.

- Tudo Bem?

Como "Tudo Bem" se você é a incógnita numa equação algébrica que eu não consigo resolver. E eu gelei, me tornei burra e cega diante de você. Meu léxico se transformou em barulhos neanderthais e códigos incoerentes. Eu estava presa dentro de mim.

- Tudo...

E você levantou, moço, e foi seguir com a sua vida, enquanto eu me recuperava de uma convulsão interna.


(texto adaptado de um escrito pela maravilhosa Janaína Tokitaka, amiga querida e roteirista do Páginas em Branco - e excelente escritora e artista plástica. )

ana banana 10:58 AM[+]
esse tédio é insupotável. Tédio tédio tédio tédio. (get the point?) Não aguento mais, quero fazer alguma coisa. Mas, o quê? pensar, pensar, pensar na vida, dissecar as coisas pequenas, pensar, comer, comer mais, pensar no tédio, preguiça, preguiça, preguiça, pensar e dormir. Aí o ciclo se repete.

ana banana 12:12 AM[+]